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Brasil Mulheres com filhos de até 3 anos de idade têm menos presença no mercado de trabalho

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Menos da metade das mulheres pretas ou pardas com crianças de até 3 anos estavam trabalhando em 2019. (Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias)

A presença de crianças com até 3 anos de idade nos domicílios do Brasil tem relação com a menor inserção das mulheres no mercado de trabalho. Em 2019, o nível de ocupação, proporção de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar, era menor entre as mulheres de 25 a 49 anos que viviam em lares com crianças nessa faixa etária. Entre elas, o nível de ocupação era de 54,6%, enquanto a das que viviam em casas onde não havia essa presença era de 67,2%. Os dados de 2019 são do estudo “Estatísticas de Gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil”, divulgado na quinta-feira (4) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

“Podemos observar que a presença de crianças nesta faixa etária nos domicílios reduz o nível de ocupação das mulheres. Tal comportamento sugere que a existência de uma oferta adequada de creches possa contribuir para o crescimento da ocupação das mulheres no mercado de trabalho. O maior compartilhamento entre homens e mulheres dos cuidados e afazeres domésticos também é outro fator importante para a ampliação da autonomia das mulheres no mercado de trabalho”, afirma o analista do estudo André Simões.

O nível de ocupação dos homens é superior ao das mulheres em ambas as situações: com ou sem crianças vivendo no domicílio. Já quando a comparação é entre homens, o nível de ocupação sobe com a presença das crianças. A proporção dos homens no mercado de trabalho é maior entre os homens com crianças de até três anos vivendo no domicílio (89,2%) do que entre aqueles que vivem em domicílio sem a presença delas (83,4%).

“O maior nível de ocupação entre os homens com crianças com até três anos de idade no domicílio pode estar relacionado aos menores níveis de ocupação das mulheres no mercado de trabalho, em especial daquelas com crianças desta faixa etária no domicílio”, diz André.

O estudo mostra ainda que há diferenças na proporção de mulheres brancas e pretas ou pardas nesse indicador. Enquanto o nível de ocupação de mulheres pretas ou pardas com crianças de até três anos em casa é de 49,7%, o de mulheres brancas na mesma situação é de 62,6%.

“No caso das mulheres pretas ou pardas com crianças, o nível de ocupação fica abaixo de 50%. A dificuldade que essa população enfrenta não é só em relação ao acesso ao mercado de trabalho, mas também no acesso à educação e aos serviços de saúde. É uma questão estrutural em nossa sociedade”, explica o pesquisador.

O estudo apontou que apenas 35,6% das crianças de até três anos frequentavam escola ou creche em 2019. Há diferenças regionais relevantes nesse indicador. No Sul, 43,3% das crianças de até três anos frequentavam creches e escolas. Já no Norte, esse percentual é de 17,6%.

Outro ponto abordado pelo estudo que ajuda a explicar a menor participação das mulheres no mercado de trabalho é o maior envolvimento no trabalho não remunerado. Em 2019, as mulheres dedicaram quase o dobro de tempo dos homens aos cuidados de pessoas e afazeres domésticos. Elas realizaram 21,4 horas semanais dessas atividades contra 11 horas dos homens.

Assim como o nível de ocupação de mulheres com ou sem crianças em casa, há desigualdade entre brancas e pretas ou pardas também na quantidade de horas gastas com afazeres domésticos e cuidados de pessoas. Enquanto mulheres brancas dedicavam 20,7 horas semanais a essas atividades, mulheres pretas ou pardas dedicavam 22 horas.

Quando a comparação é por rendimento, a diferença é ainda maior. As mulheres que fazem parte dos 20% com menores rendimentos domiciliares per capita realizavam, em média, 24,1 horas semanais nas atividades de cuidados e afazeres domésticos, enquanto as que estão entre os 20% de maiores rendimentos gastavam 18,2 horas nessas tarefas.

“Isso pode acontecer devido à maior possibilidade de as mulheres com maiores rendimentos terceirizarem o serviço doméstico, ao contratar uma pessoa para ajudar em casa, e também de colocar as crianças em creches privadas. Já as mulheres que têm rendas menores dependem do serviço público, que nem sempre está disponível. Isso acaba influenciando nas diferenças de horas semanais de realização dessas tarefas”, diz André. As informações são do IBGE.

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