Segunda-feira, 10 de Maio de 2021

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Tecnologia Na briga entre Apple e Facebook nova versão do iOS permite que usuário impeça rastreamento por aplicativos base da publicidade personalizada

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Rastreamento de dados é usado por grandes redes, como Facebook, para vender anúncios direcionados. (Foto: Reprodução)

Em meio à pressão crescente de processos antitruste e órgãos reguladores dos dois lados do Atlântico que as acusam de monopólio, as big techs começam a enfrentar disputas internas, o que pode levar ao fim do modelo de negócios de publicidade baseada em dados pessoais, que lembra o Big Brother, o Grande Irmão de “1984”.

O duelo de titãs entre Facebook e Apple é o primeiro round desse novo movimento.

A gigante das redes sociais, também dona de Instagram e WhatsApp, está muito preocupada com a nova opção oferecida na nova versão do iOS 14.5, sistema operacional de iPhones e iPads.

Na nova função, chamada “Transparência de rastreio por aplicativo”, o usuário, ao abrir um app, pode permitir ou não que o software rastreie suas informações pessoais para personalizar anúncios.

Não por acaso, Facebook e Instagram começaram a enviar mensagens em janelas pop-up encorajando os usuários Apple a permitir o rastreamento, segundo o site 9to5mac.

“Você está no iOS 14.5. Esta versão requer que se peça permissão para usar dados deste aparelho para aperfeiçoar seus anúncios”, diz a mensagem. O aviso ainda ressalta que o uso de anúncios permite manter os aplicativos gratuitos.

Em um memorando interno, vazado na rede e revelado pelo site Business Insider, o Facebook explicou como a nova funcionalidade da Apple vai afetar o mercado publicitário, dizendo que os anunciantes perderão a capacidade de direcionar um anúncio com um prazo estimado para resultar em uma conversão (interação com o anúncio ou compra) caso os usuários optem por não permitir o rastreamento.

“Com essa briga de “cobra comendo cobra” entre Apple Facebook, estamos vendo uma verdadeira mudança do jogo nesse mercado”, diz a advogada especializada em direito digital Patrícia Peck.

Ela continua: “Isso se coaduna com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e se relaciona com o maior rigor das autoridades regulatórias no mundo, que exigem que esses modelos de negócios das big techs deixem mais claras suas práticas de utilização das informações dos usuários”.

Decisão final do usuário

Segundo Patrícia, especialistas da Universidade de Oxford já chamam essa questão da transparência de “modelo de data ethics“, ou de ética de dados, que impacta na sustentabilidade da economia da própria internet.

“A decisão final sobre o uso de seus dados é do usuário. Antes ele não tinha tanta ciência desse compartilhamento de suas informações. O que a Apple está fazendo é embutir em seu sistema essa opção ao usuário”, explica.  “A transparência com essa permissão registrada é uma blindagem legal, inclusive, para as empresas. Elas precisam deixar bem claro qual é o “limite da porta” de cada uma.”

Marcos Sêmola, sócio de cibersegurança da consultoria EY, considera a mudança da Apple importante para a democratização do mercado.

“Já há leis de proteção de dados em mais de 140 países, em diferentes estágios de maturidade, garantindo que as informações pessoais pertencem aos usuários. O que a Apple fez foi botar em prática no iOS uma parte dessas leis”, diz Sêmola.

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