Segunda-feira, 06 de Abril de 2020

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Política “Não uso a internet para agredir ninguém”, diz Rodrigo Maia a Bolsonaro

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia. (Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou na tarde de sábado (23) que não usa suas redes sociais para agredir ninguém e que “em uma democracia, o Executivo não está acima dos outros Poderes”. “Não uso minhas redes sociais para agredir ninguém, e sim para apresentar propostas, ideias e discussões para a sociedade”, afirmou Maia após um almoço com João Doria (PSDB) na casa do governador de São Paulo na capital paulista para discutir a articulação da reforma da previdência. As informações são do portal de notícias UOL.

A fala de Maia foi uma resposta ao presidente Jair Bolsonaro (PSL), que antes de embarcar de volta para o Brasil em Santiago, no Chile, também no sábado, afirmou a jornalistas que via o presidente da Câmara agressivo em relação ao governo e que a reforma da previdência agora é responsabilidade do Congresso. Bolsonaro também respondeu a críticas de Maia de que usava muito o Twitter e disse que fica na rede social apenas 20 minutos por dia.

“Pode pesquisar os meus tuítes e os do presidente e pessoas do seu entorno, e qualquer um vai ver quem está falando a verdade” afirmou Maia. Como a base do governo no Congresso ainda carece de solidez, o presidente da Câmara vinha assumindo o papel de principal articulador. No entanto, depois de ter sido pressionado por membros do Executivo e criticado nas redes sociais por Carlos Bolsonaro, um dos filhos do presidente, Maia passou a fazer cobranças em relação a Bolsonaro.

Carlos criticou na última quinta-feira (21) decisão do presidente da Câmara de não priorizar a votação do pacote anticrime do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro.

Apesar disso, tanto Maia como Doria afirmaram que estão alinhados para ajudar a encaminhar a aprovação da reforma da previdência no Congresso, mas que o tema vai exigir muito diálogo de toda a sociedade.

O presidente da Câmara cobra mais participação do governo na articulação do tema junto aos deputados, na condição de “pai” do projeto. Bolsonaro afirma que a responsabilidade de aprovar a reforma, tida pelo próprio governo como fundamental para o sucesso da gestão e recuperação da economia, é do Congresso.

Em entrevista publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, Maia afirma que Bolsonaro devia passar menos tempo nas redes sociais e mais organizando propostas para o país. Segundo o presidente da Câmara, o governo do capitão é um “deserto de ideias” para os problemas do Brasil. Apesar do clima de conflagração, Maia tentou minimizar o embate com Bolsonaro depois do almoço deste sábado. “Essa história ficou para trás, para mim não há problema nenhum”, disse o presidente da Câmara sobre a polêmica.

“A responsabilidade por aprovar a reforma da previdência é de todos”, afirmou o deputado federal, reiterando que defende a aprovação do tema ao comentar declaração de Bolsonaro de que a responsabilidade agora é do Congresso.

“A reforma é debatida no Parlamento. O governo traz sua base para argumentar, a oposição vai fazer o mesmo. Não é tão independente do governo assim não… Vai escolher o relator do projeto por sorteio então, por exemplo? Correr o risco de cair na mão da oposição? Não é assim, precisa haver diálogo.”

Ao criticar a postura do governo federal no tema, Maia afirmou que o ministro da Economia, Paulo Guedes, tenta influenciar na escolha do relator do tema no parlamento. Ele afirmou que Guedes “é uma ilha entre seus pares”, no que diz respeito ao diálogo com os deputados. Enquanto isso, o projeto de reforma segue sem relator na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara e sem previsão de votação.

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