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Mundo Países decidem conviver com covid sem lockdown; especialistas veem perigo

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Reino Unido e Itália lideram ranking de mortos, e França, de casos. (Foto: Getty Images)

Países de todo o mundo estão fazendo um giro sutil mas significativo em sua guerra contra o coronavírus. Vencer o vírus não é mais a estratégia. Muitos países estão simplesmente atrás do empate.

Trata-se de um recuo estratégico, sinalizado de maneiras explícitas e sutis, de Washington a Madri, a Pretória, África do Sul, a Camberra, Austrália. De maneira perceptível, poucos países atualmente além da China – que está aplicando lockdowns em certas cidades – aferram-se a uma estratégia “covid zero”.

A frase com frequência ouvida dos EUA e muitos outros países é “conviva com o vírus”. Essa nova posição é aplaudida por algumas autoridades e cientistas – e é elogiada por pessoas cansadas com as dificuldades e perturbações da emergência de saúde global que entra em seu terceiro ano.

Mas também há especialistas em doenças que temem a possibilidade do pêndulo oscilar demais para o outro lado. Eles se preocupam que líderes mundiais estejam apostando em um resultado relativamente benigno do surto de Ômicron e mandando mensagens que levarão pessoas normalmente prudentes a abandonar o distanciamento social e o uso de máscaras, que sabidamente limitam a disseminação do patógeno. Epidemiologistas afirmam que a estratégia “conviva com isso” subestima perigos apresentados pela Ômicron.

“Essa noção de aprender a conviver com o coronavírus para mim sempre significou render-se, desistir”, afirmou a epidemiologista Maria Van Kerkhove, da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A virologista Angela Rasmussen, da Universidade de Saskatchewan, teme, da mesma maneira, que as pessoas estejam relaxando prematuramente as precauções sensatas. “Entendo a tentação de dizer, ‘Eu desisto, isso é demais’. Dois anos é muito tempo. Todo mundo está cansado disso. Eu odeio isso. Mas isso não significa que o jogo está perdido.”

A OMS declarou oficialmente a situação internacional de emergência de saúde pública em 30 de janeiro de 2020, quando havia na China 7.711 casos confirmados de covid-19 e 170 mortes decorrentes da doença – além de outros 83 casos espalhados por 18 países e nenhuma morte nesses lugares.

Dois anos depois, o vírus matou mais de 5,5 milhões de pessoas, e a pandemia continua. Mas a emergência de saúde global evoluiu – transformada pelas ferramentas acionadas para combatê-la, incluindo as vacinas. O coronavírus e a doença que ele causa se tornaram tão familiares que já não assustam tanto quanto no início da pandemia.

Nenhum líder nacional diria que é hora de parar de lutar, mas o tom do desafio mudou, com poucas menções a superar, erradicar ou derrotar o vírus. O SARS-CoV-2 é agora parte do mundo, um vírus “pantrópico” capaz de infectar pessoas, cervos, martas, ratos e todo tipo de mamíferos.

Muitos países continuam a impor obrigatoriedades de uso de máscara e vacinação e restrições a viagens. Mas poucos líderes de sociedades democráticas detêm capital político para adotar medidas duras para suprimir a transmissão.

Mesmo a chegada da ultra transmissível variante ômicron não fez o mundo retroceder ao inverno de 2021, quando o objetivo principal ainda era impedir a disseminação viral a qualquer custo – muito menos à primavera de 2020, quando as pessoas foram orientadas a ficar em casa, desinfetar embalagens e alimentos e não tocar no rosto.

Mesmo as autoridades da Austrália, bastião desde o início da supressão do vírus a qualquer custo, escolheram aliviar algumas restrições nas semanas recentes.

O país chegou às manchetes de todo o planeta pela maneira como tratou o não vacinado campeão de tênis Novak Djokovic. Mas outro assunto nacional na Austrália é o debate a respeito das restrições que foram relaxadas.

Líderes nacionais e estaduais tinham acordado que as medidas rígidas seriam levantadas quando 80% da população qualificada para vacinação fosse imunizada. Esse índice foi alcançado meses atrás, e agora mais de 90% da população qualificada para vacinação se imunizou.

O uso de máscaras ainda é obrigatório em alguns ambientes internos, e existem limites de frequência em estabelecimentos abertos ao público, mas líderes da oposição e alguns especialistas denunciam uma estratégia de “deixar rolar”.

Na África do Sul, onde as autoridades soaram inicialmente o alarme a respeito da Ômicron, o governo aliviou protocolos em dezembro, apostando que contatos anteriores da população com o vírus lhe deram imunidade suficiente para evitar índices significativos de casos graves.

A onda de Ômicron abrandou rapidamente no país, causando poucas hospitalizações, e cientistas acham que um dos motivos para isso seja que muita gente – perto de 80% da população – já tinha sido infectada por variantes anteriores do coronavírus.

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