Quarta-feira, 05 de Agosto de 2020

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Brasil A Agência Nacional de Vigilância Sanitária diz que a ivermectina não tem eficácia contra o coronavírus e pode causar sérios riscos à saúde

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Nas últimas semanas, ivermectina se tornou uma das medicações mais citadas por aqueles que defendem tratamento precoce. (Foto: EBC)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou que não há estudos conclusivos comprovando a eficácia do remédio ivermectina no tratamento de Covid-19. Informou também que automedicação traz riscos à saúde, sendo necessária a prescrição médica para tomar o remédio.

A Anvisa esclareceu ainda que não há produto farmacêutico aprovado no Brasil para a prevenção ou o tratamento da doença, mas apenas para combater os principais sintomas, como a febre.

O órgão listou os principais efeitos colaterais do medicamento: diarreia, náusea, fraqueza, dor abdominal, anorexia, constipação e vômitos. Também pode provocar tontura, sonolência, vertigem e tremor. Na pele, pode causar prurido, erupções e urticária.

“Inicialmente, é preciso deixar claro que não existem estudos conclusivos que comprovam o uso desse medicamento para o tratamento da Covid-19. Assim, não há recomendação da Anvisa, no momento, para a sua utilização em pacientes infectados ou mesmo como forma de prevenção à contaminação pelo novo coronavírus”, diz trecho de nota da Anvisa.

A ivermectina é um medicamento indicado contra vermes parasitas que, em testes “in vitro”, ou seja, feitos sem o uso de seres vivos, mostrou ter uma atuação contra vários tipos de vírus. A Anvisa disse ter localizado 26 estudos clínicos que analisam a eficácia do remédio contra a Covid-19, dos quais apenas um é feito no Brasil, na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com previsão de término em julho de 2021.

“Não existem, ainda, resultados conclusivos sobre a eficácia da ivermectina no combate à Covid-19. Também não existem dados que indiquem qual seria a dose, posologia ou duração de uso adequada para impedir a contaminação ou reduzir a chance de gravidade da doença. Os resultados encontrados in vitro não podem ser tomados como verdadeiros in vivo [em seres humanos]”, diz trecho da nota.

Automedicação

Uma publicação do dia 25 de junho da página “Um pouco de tudo” no Facebook indica o uso dos medicamentos azitromicina, ivermectina e nitazoxanida para pessoas com sintomas leves de Covid-19. O texto sugere que a recomendação parte de “profissionais de saúde”, sem citar nomes, em função de um suposto “colapso no Sistema de Saúde do Brasil” e é direcionada a quem não quiser se “arriscar a ir a um hospital”.

Essa recomendação, porém, contraria a orientação da ampla maioria das autoridades e entidades de saúde. Embora haja estudos em andamento sobre a possível ação desses medicamentos contra o vírus que causa a Covid-19, o SARS-CoV-2, a eficácia deles não foi comprovada até o momento. Além disso, a orientação para pessoas que apresentam sintomas é procurar assistência médica e não se automedicar.

A afirmação de que haveria um “colapso” no sistema de saúde brasileiro também não é verdadeira. Levantamento feito pelo Comprova mostra que, neste momento, todos os Estados possuem leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) disponíveis.

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