Terça-feira, 27 de Outubro de 2020

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Saúde O Brasil atinge 28.834 mortes por coronavírus e passa a França no número de vítimas

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A taxa de letalidade é de 5,8%, ou 13,7 mortes a cada 100 mil habitantes.

Foto: Reprodução
Para embasar a denúncia, o PV cita ações do governo que, segundo o partido, vão no sentido contrário ao das recomendações médicas. (Foto: Reprodução)

Um dia após ultrapassar a Espanha, o Brasil superou neste sábado (30), a França em número de mortes por coronavírus e agora é o quarto país no mundo com a maior quantidade de óbitos. Segundo dados da Universidade Johns Hopkins, o país europeu tem 28.774 mortes. Já o Brasil acumula o saldo total de 28.834 com os 956 óbitos registrados nas últimas 24 horas. A taxa de letalidade é de 5,8%, ou 13,7 mortes a cada 100 mil habitantes.

O Brasil está atrás apenas dos Estados Unidos (103,6 mil mortes), Reino Unido (38,4 mil) e Itália (33,3 mil), mas estes dois últimos já passaram pelo pico da doença e apresentam números cada vez menores.

Além disso, de acordo com o balanço do Ministério da Saúde divulgado neste sábado, o País registrou de sexta para sábado o recorde de 33.274 novos casos de infecção, elevando o total de contaminados para 498.440. Em números absolutos, o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial de infecção por covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos, que somam 1,7 milhões. Mais de 268,7 mil casos ainda aguardam resultado de exame.

Ao longo desta semana, o Brasil apresentou, durante quatro dias consecutivos, a marca diária de mais de mil mortes pela doença contabilizadas. Até então, o único país a manter a confirmação de óbitos acima de mil em 24h foi os EUA.

A confirmação de óbitos e diagnósticos apresentada pelo governo entre um dia e outro não necessariamente ocorreu nas últimas 24 horas.

O Ministério da Saúde explica que a fila de testes provoca atrasos nos registros feitos pelas secretarias. Com isso, muitas das ocorrências podem ser de outras datas.

Os laboratórios públicos e privados realizaram no total 930 mil testes RT-PCR (método que identifica o coronavírus em até sete dias do início dos sintomas), um número muito baixo em relação ao tamanho da população e aos outros países com muitos casos positivos. A testagem é considerada uma das principais ferramentas de combate ao coronavírus, pois é possível detectar as pessoas infectadas, mesmo aquelas que são assintomáticas, e isolá-las, a fim de evitar a propagação.

O secretário substituto de Vigilância em Saúde, Eduardo Macário, voltou a dizer na coletiva realizada na sexta-feira que o Ministério da Saúde não trabalha com estimativa de pico do coronavírus, pois “somos um país continental” e as doenças se comportam de forma distinta nas regiões, disse.

“A gente está trabalhando com doença nova com certo nível de complexidade. Muitas pessoas têm sintomas leves, acabam não procurando o sistema de saúde e podem transmitir o vírus para outras pessoas. A maioria dos casos que aparecem é de sintomas mais pronunciados”, explicou.

O Brasil está perto de ter meio milhão de infectados, mas Estados como São Paulo e Ceará já falam em uma retomada gradual das atividades. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), decretou neste sábado a reabertura de igrejas e parques na região.

O Estado de São Paulo, que desde o início é o epicentro da doença, anunciou um programa de relaxamento das medidas distanciamento social, o Plano São Paulo, que passa a vigorar a partir do dia 1º. De sexta para sábado, a região teve 5,5 mil novos casos de contaminação e 257 mortes, elevando o total para 107,1 mil e 7,5 mil respectivamente. Os três maiores recordes de número de novos casos por dia da pandemia, desde março, foram atingidos, nesta quinta (6,3 mil), sexta (5,6 mil) e sábado.

No Rio de Janeiro, a Justiça concordou com ação do Ministério Público e proibiu a realização de cultos religiosos presenciais na capital fluminense. Nesta semana, o prefeito Marcelo Crivella, bispo licenciado da Igreja Universal, havia permitido os encontros – tendo como base decreto do presidente Jair Bolsonaro que classificou os templos como “serviços essenciais”.

Um terço das mortes

O professor de epidemiologia da USP (Universidade de São Paulo) Paulo Lotufo avalia que o Brasil poderia ter tido um terço das mortes e metade dos casos do novo coronavírus caso o distanciamento social tivesse sido adotado de maneira mais efetiva desde o início.

Lotufo considerou que é cedo relaxar as medidas de distanciamento e disse que “estamos numa fase de total desconfiança”. Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich deixaram o ministério da Saúde após discordâncias com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e a pasta é comandada interinamente por Eduardo Pazuello.

“Olha, nós estamos no pior dos momentos. No início da epidemia, quando estava a equipe do Mandetta, com o Wanderson (de Oliveira, secretário nacional de Vigilância do Ministério da Saúde), ou no período do Teich, era possível ter discordância da abordagem deles. Mas discordância é uma coisa diferente da desconfiança, que temos agora. Antes dava para ter confiança total no que estava saindo de informação. Agora, há uma semana, o Ministério da Saúde está sendo dirigido na prática pela Secom (Secretaria Especial de Comunicação). Eles não destacam mais números de morte, mostram só os recuperados. Estamos numa fase de total desconfiança.”

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