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Geral Governo Trump demite diretora que questionou políticas antivacina

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A diretora do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Susan Monarez, resistiu a mudanças na política de vacinas. (Foto: Reprodução)

O governo de Donald Trump lida com uma crise na principal agência de saúde pública dos Estados Unidos após a demissão da diretora do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Susan Monarez, na quarta (27). Segundo aliados, ela deixou o cargo depois de resistir a mudanças na política de vacinas defendidas pelo secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., por considerar que contrariavam evidências científicas e que poderiam ser ilegais.

A saída de Monarez desencadeou uma série de renúncias de funcionários do alto escalão da agência, evidenciando uma divisão crescente sobre os rumos da saúde pública no país.

Richard Besser, ex-diretor interino do CDC, afirmou em entrevista coletiva que conversou com Monarez logo após sua demissão. Segundo ele, a ex-diretora disse que havia estabelecido dois limites durante sua gestão no cargo: não tomar decisões ilegais e não adotar medidas que fossem contra a ciência. “E ela disse que foi pressionada a fazer as duas coisas”, afirmou ele.

Poucas horas depois da saída de Monarez, três outros dirigentes do CDC também pediram demissão: Debra Houry, diretora médica; Demetre Daskalakis, chefe do Centro Nacional de Imunização e Doenças Respiratórias; e Daniel Jernigan, diretor do Centro Nacional de Doenças Infecciosas Emergentes e Zoonóticas.

Os três foram escoltados para fora da sede da agência, em Atlanta, nessa quinta (28). Em cartas de renúncia obtidas pela agência de notícias Reuters, Houry e Daskalakis citaram entre os motivos a proliferação de desinformação sobre vacinas, os ataques à ciência, a politização da saúde pública e as tentativas de cortes no orçamento da instituição. “Sou médico. Fiz o juramento de Hipócrates, que dizia: ‘Primeiro, não causar danos’. Acredito que danos vão acontecer e, por isso, não posso fazer parte.”

A Casa Branca confirmou a demissão de Monarez sob a justificativa de que ela não estava alinhada ao plano de Trump e de Kennedy para “fazer a América saudável novamente”.

Segundo a porta-voz Karoline Leavitt, Monarez foi convidada a renunciar, mas, ao se recusar, acabou demitida. Advogados da ex-diretora, contudo, contestam a legalidade da decisão e sustentam que ela continua sendo a chefe do CDC.

Desde que assumiu o cargo em janeiro, Kennedy promoveu mudanças na política de vacinas do governo. Ele dissolveu o tradicional comitê consultivo de especialistas em imunização e o substituiu por militantes antivacina e assessores de confiança. Também pressionou para que o CDC aceitasse automaticamente todas as recomendações desse novo colegiado, enfraquecendo a autonomia técnica da agência.

E nesta semana, a FDA (agência reguladora dos EUA) restringiu a elegibilidade para as novas doses de reforço contra a Covid-19.

Kennedy, que evita se posicionar sobre as demissões, afirmou à Fox News que o CDC “está em crise e precisa ser consertado”. Ele tem defendido teses sem respaldo científico. Já disse, por exemplo, que vacinas contra o sarampo contêm células de fetos abortados. Também afirmou, sem qualquer prova, que a vacina contra a caxumba não funciona. Ainda determinou uma investigação sobre o aumento do número de diagnósticos de autismo em crianças nos EUA, que ele atribui, sem evidências, a “toxinas ambientais”.

A demissão de Monarez faz parte de um movimento mais amplo de Trump contra órgãos reguladores. Nos últimos três dias, também foram afastados a diretora do Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA) Lisa Cook e o integrante do Conselho de Transporte Terrestre Robert Primus. No Senado, até aliados de Kennedy manifestaram preocupação.

Nessa quinta, a Casa Branca anunciou que Jim O’Neill, secretário-adjunto do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), foi escolhido para substituir Monarez. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

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