Terça-feira, 07 de Julho de 2020

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Ciência Marte, o próximo salto gigantesco da Humanidade

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Ilustração de base para exploração de Marte: muitos avanços serão necessários para transformar ficção em realidade. (Foto: Nasa/Divulgação)

Em 1938, Orson Welles provocou pânico nos Estados Unidos com a transmissão radiofônica de sua dramatização de “A guerra dos mundos”, do escritor britânico H.G.Wells, que conta a invasão da Terra por marcianos. Cem anos depois, são os humanos que pretendem “invadir” Marte , com planos de uma primeira missão tripulada para o planeta vermelho na década de 2030.

Mas transformar ficção em realidade será uma tarefa difícil, um salto gigantesco muito maior e mais complexo do que o que levou o astronauta americano Neil Armstrong a dar seu “pequeno passo” na Lua 50 anos atrás, na missão Apollo 11 .

Desafio que começa com a distância. Se a Lua, a cerca de 400 mil quilômetros, parecia impossível de alcançar, Marte, que no ponto de maior aproximação da Terra chega a 54,6 milhões de quilômetros, é um destino no mínimo 136 vezes mais longínquo, o que vai demandar não só foguetes bem mais poderosos como naves maiores, mais avançadas e blindadas para proteger os astronautas no longo caminho até lá.

“O primeiro desafio é a massa. A carga que teremos que lançar para lá é muito grande”, disse o físico Luiz Alberto Oliveira, curador do Museu do Amanhã, que desde março e até outubro promove o ciclo de palestras “Hackeando Marte”, uma discussão dos obstáculos e alternativas para os humanos chegarem e viverem no planeta vermelho. “Para lançar uma nave com pessoas, suprimentos, combustível e tudo mais vamos precisar de foguetes superpoderosos, muito maiores do que os que temos hoje”.

Ida em etapas

Assim, é provável que todo processo seja feito por etapas, com missões em série que primeiro levarão equipamentos e suprimentos para a órbita e a superfície de Marte e só depois enviar os astronautas. Procedimento similar ao que será usado, e testado, com o projeto Ártemis , que pretende colocar pessoas, entre elas a primeira mulher, na Lua em 2024, com a construção, inicialmente, de uma estação orbital e, depois, de uma base no Polo Sul lunar.

Mas a grande distância traz outros obstáculos. O fato de Marte percorrer sua própria órbita em torno do Sol (diferentemente da Lua, que “acompanha” a Terra) restringe as chamadas “janelas de lançamento”, os períodos em que as posições relativas de nosso planeta e o planeta vermelho permitem uma viagem mais eficiente em termos de energia e tempo – e assim necessitando de menos combustível e suprimentos, ou seja, massa.

“Ao proporcionar viagens mais curtas, estas janelas de oportunidade também ajudam a reduzir outro problema: a exposição dos astronautas à radiação solar no espaço, que no acumulado de meses pode ter efeitos sérios de saúde, como o câncer, e, em última instância, matá-los por envenenamento radioativo”, destacou Oliveira. “São várias as propostas para enfrentar isso, mas em todas, quanto maior a proteção, maior o peso, a massa da nave, e aí voltamos ao primeiro desafio, do tamanho dos foguetes lançadores.”

Caminho para Marte 

São duas as principais opções para uma missão tripulada de ida e volta, uma mais longa e outra mais curta. Ambas, no entanto, dependem de Marte e a Terra estarem em posições relativas específicas nas suas órbitas em torno do Sol, em um alinhamento que abre as chamadas “janelas de lançamento”

Missão longa

A viagem mais eficiente em termos de energia, e portanto a que precisa de menos combustível e/ou foguetes não tão poderosos, emprega uma trajetória conhecida como “órbita de transferência de Hohmann”

Em forma de elipse, ela tem o Sol em um de seus focos e Terra e Marte em posições orbitais opostas na órbita na partida daqui e chegada lá. Sua utilização permite viagens de 120 a 270 dias para ida e volta cada. Permanência obrigatória de 400 a 600 dias no planeta, usando “janelas de lançamento” que se repetem aproximadamente a cada 780 dias, o chamado “período sinótico” de Terra e Marte

Com foguetes mais poderosos, menores limitações de gastos de combustível e permitindo velocidades maiores, além de eventuais envios prévios de equipamentos e suprimentos para a órbita dos dois planetas e a superfície marciana, é possível traçar rotas mais diretas e reduzir o tempo total da missão para menos de 245 dias.

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