Terça-feira, 07 de Abril de 2020

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Ciência Fim da aids pode estar próximo: remédios conseguem impedir transmissão do HIV

O estudo prova, segundo os pesquisadores, que utilizar a terapia antirretroviral para suprimir o vírus da Aids para níveis indetectáveis também significa que o vírus não pode ser transmitido através de relação sexual. (Foto: Reproduçâo)

Um estudo europeu com cerca de 1.000 casais de homens gays que fizeram sexo sem preservativos — em que um dos parceiros possuía o vírus HIV e estava tomando medicamentos antirretrovirais para suprimi-lo — mostrou que o tratamento pode prevenir a transmissão do vírus pela via sexual.

Depois de oito anos de acompanhamento dos casais, a pesquisa não encontrou nenhum caso de transmissão de HIV entre eles. O estudo prova, segundo os pesquisadores, que utilizar a terapia antirretroviral para suprimir o vírus da Aids para níveis indetectáveis também significa que o vírus não pode ser transmitido através de relação sexual.

“Nossas descobertas apresentam evidências conclusivas para homens gays de que o risco da transmissão do HIV com o supressor ART é zero”, afirmou Alison Rodger, professora da University College London, que co-liderou a pesquisa.

Rodger acrescentou que essa “mensagem poderosa” poderia ajudar a acabar com a pandemia do HIV ao prevenir a transmissão do vírus em populações de alto risco. Apenas no estudo, por exemplo, os pesquisadores estimam que o tratamento antirretroviral supressor preveniu aproximadamente 472 transmissões de HIV durante oito anos.

A pesquisa, publicada no jornal médico científico Lancet na quinta (2), avaliava o risco da transmissão do HIV entre casais homossexuais compostos por homens em que um dos parceiros é HIV-positivo e o outro é HIV-negativo e que não usam preservativos.

Cura da doença

Estamos chegando cada vez mais perto da cura da aids. Dias depois de cientistas terem anunciado a existência de uma segunda pessoa que pode ter vencido o vírus HIV, foi revelado um terceiro paciente que possivelmente teria sido totalmente curado da doença.

O anúncio desse terceiro avanço ocorreu durante a Conferência Sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas, em Seattle, nos Estados Unidos. O chamado “paciente de Düsselforf”, segundo um time de especialistas dos Países Baixos, foi submetido ao mesmo tipo de transplante de medula óssea pelo qual passaram os outros dois pacientes que também teriam sido curados.

Em entrevista à New Scientist, a pesquisadora Annemarie Wensing, da Universidade de Medicina Central de Utrecht (Holanda), contou que o paciente da Alemanha ficou três meses sem tomar os medicamentos antivirais e as biópsias coletadas do intestino e dos gânglios linfáticos dele não mostraram nenhum sinal da presença do microrganismo.

O primeiro registro de que um homem teria se livrado do vírus HIV ocorreu em 2007. O caso foi inicialmente apelidado de “paciente de Berlim”; mas o homem acabou sendo identificado como Timothy Ray Brown, de 52 anos, que atualmente vive em Palm Springs, na Califórnia (EUA).

Diagnosticado com leucemia, Brown teria enfrentado dois transplantes de células-tronco após os médicos não verem progresso com a quimioterapia. O doador que possibilitou o transplante tinha uma mutação na proteína CCR5. Assim, o paciente teve de enfrentar uma dosagem de medicamentos imunossupressores e sofreu uma série de complicações; chegou a ficar em coma induzido e quase morreu.

“Ele ficou muito abatido com todo o procedimento”, relatou Steven Deeks, especialista em aids da Universidade da Carolina, nos Estados Unidos, responsável por tratar o Brown. 12 anos depois, no entanto, não havia mais vírus HIV detectado no organismo do paciente.

Ao jornal The New York Times, por e-mail, o “paciente de Londres” descreveu sua possível cura de um câncer e da infecção do HIV como “surreal” e “extraordinária”. “Nunca pensei que existiria uma cura enquanto eu estivesse vivo”, afirmou.

Mas o sucesso do caso ainda deixou muitos pontos de interrogação na mente dos médicos e pesquisadores envolvidos. “Nós sempre nos perguntamos se a condição dele, na qual houve uma destruição massiva do sistema imune, foi a razão porque ninguém foi curado além de Timothy”, explica o especialista Steven Deeks.

 

 

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