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Mundo O preço do petróleo no mundo volta a cair com a escalada da tensão entre os Estados Unidos e a China

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Troca de acusações entre os dois países interrompe recuperação do preço da commodity e levanta dúvidas sobre retomada da demanda global. (Foto: Divulgação/Petrobras)

O preço internacional do petróleo voltou a cair com a escalada na guerra de palavras entre os Estados Unidos e a China, aumentando as incertezas sobre as perspectivas de recuperação global da demanda. No início da tarde, no entanto, se recuperaram e estavam sendo negociados em alta.

O mercado futuro de petróleo em Nova York começou a semana com queda de 1,2% após já ter caído 2% na sexta-feira. O barril do tipo West Texas Intermediate (WTI) para entrega em julho caiu para US$ 32.86 na manhã desta segunda-feira em Cingapura. No início da tarde, o barril do petróleo leve americano, referência nos Estados Unidos, registrava alta de 2,05%, sendo negociado a US$ 33,93.

O Brent, referência para a produção no Brasi e no mercado internacionall, começou a segunda com queda de 1,5%, com o barril para julho cotado a US$ 34,60 no mercado futuro europeu. Agora à tarde, era negociado a US$ 35,76, alta de 1,79%.

O mercado de petróleo reage ao aumento da tensão retórica entre os dois país. A China alertou que alguns nos EUA estão empurrando os dois países na direção de uma nova Guerra Fria (a tensão entre EUA e União Soviética que perdurou por décadas após a Segunda Guerra Mundial).

As declarações alimentam preocupações de que uma deterioração das relações entre as duas maiores potências econômicas do planeta poderia complicar a recuperação do mercado de petróleo de uma derrocada sem precedentes na demanda por combustíveis provocada pela pandemia de coronavírus.

Na semana passada, Pequim abandonou sua tradição de décadas de estabelecer uma meta anual para o crescimento econômico devido à incerteza provocada pelo coronavírus. A decisão foi anunciada no Congresso Nacional do Povo.

Entretanto, há sinais de que o mercado de petróleo está se posicionando na direção de uma recuperação. Produtores de petróleo não convencional (shale gas) reduziram o número de plataformas em atividade ao nível mais baixo desde 2009, cortando ainda mais a produção.

Isso acontece ao mesmo tempo em que os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (Opep+) empreendem vêm cortando a produção diária em cerca de dez mil barris diários em um esforço para reduzir o excesso de oferta e favorecer a recuperação dos preços.

O petróleo, que chegou a ser cotado a preços negativos nos EUA pela primeira vez na história, já subiu 75% este mês na medida em que China e Índia começam a relaxar restrições de isolamento, e os estoques americanos começam a se reduzir.

Entretanto, a recuperação da commodity é prevista como longa e incerta, com o risco de uma segunda onda de infecções prejudicar essa trajetória.

Em entrevista à Bloomberg, o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que o consumo global por petróleo não atingiu o pico, jogando um balde de água fria na esperança de que o coronavírus reduza a demanda e as emissões causadas pela mudança climática.

“Na ausência de políticas governamentais fortes, uma recuperação econômica sustentada e baixos preços do petróleo devem levar a demanda global de petróleo de volta para onde estava e além”, afirmou Fatih Birol.

No ano passado, o consumo global de petróleo totalizou quase 100 milhões de barris por dia. Alguns especialistas do setor de energia acreditam que o volume pode marcar o pico da demanda global. A hipótese é que o surto de coronavírus vai desencadear mudanças, como o trabalho remoto generalizado e menos viagens ao exterior, o que deve reduzir o consumo permanentemente.

Birol alertou governos que o coronavírus só reduzirá brevemente a demanda por petróleo: o consumo deve cair em 2020 para cerca de 91 milhões de barris por dia e se recuperar em 2021 e nos anos seguintes.

“Mudanças comportamentais em resposta à pandemia são visíveis, mas nem todas são negativas para o uso de petróleo. As pessoas estão trabalhando mais em casa, mas, quando de fato viajam, é mais provável que estejam em carros do que em transporte público”, disse Birol à Bloomberg News de Paris.

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