Sábado, 30 de agosto de 2025
Por Redação O Sul | 29 de agosto de 2025
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nessa sexta-feira (29), que “um deputado” fez campanhas com inverdades que ajudaram o crime organizado. A declaração é uma referência ao que o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou após as operações deflagradas ontem contra a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) em atividades da economia formal. Na ocasião, Barreirinhas defendeu que as fake news envolvendo o Pix no início do ano impediram que o governo ampliasse a fiscalização das fintechs, que se tornaram um dos principais “braços financeiros” do PCC.
“Tem um deputado que fez campanha contra as mudanças que a Receita Federal propôs. E, agora, está provado que o que ele estava fazendo era defender o crime organizado. E nós não vamos dar trégua ao crime organizado”, disse o presidente, em entrevista concedida à Rádio Itatiaia.
Em janeiro, uma publicação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) sobre o monitoramento e possível taxação do Pix foi apontado por bolsonaristas como o motivo do recuo do governo sobre a medida anunciada pela Receita. Após o episódio, à época, o parlamentar superou o presidente Lula em número de seguidores no Instagram.
O petista também aproveitou para elogiar as ações policiais realizadas na quinta-feira (28). De acordo com Lula, a operação conjunta foi “a mais importante de 525 anos do Brasil”. O presidente abordou a importância do Governo Federal atuar juntamente dos governadores locais, além de provocar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“A gente vai mostrar a cara de quem faz parte do crime organizado neste país, e o ex-presidente que tome cuidado”, disse. “O crime organizado, hoje, é uma coisa muito sofisticada. Ele está na política, no futebol, na Justiça, em todo lugar. É um braço internacional muito poderoso, com relações com o mundo inteiro, verdadeiras multinacionais”, completou.
PEC da Segurança
De acordo com Lula, a atuação do governo na megaoperação deflagrada contra o PCC demonstra seriedade com com o combate ao crime organizado, o que “ajuda muito” o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, chamada de PEC da Segurança. O texto já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, em junho, mas ainda precisa ser votado pelo plenário e analisado pelo Senado.
“O que aconteceu ontem foi muito importante, acho que vai facilitar a aprovação da PEC (da Segurança) no Congresso Nacional”, afirmou o petista. “O governo começou a agir fortemente no combate ao crime organizado. E isso não tem mais volta”, enfatizou.
A PEC altera artigos da Constituição que aumentam o papel da União na elaboração de diretrizes de políticas de segurança pública. A proposta é a principal aposta do governo Lula para organizar e intensificar o combate ao crime organizado, mas enfrenta resistência de governadores e políticos da oposição, que alegam risco de eventuais prejuízos à autonomia dos estados.
Na quinta-feira, em coletiva de imprensa realizada após a ação policial, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, também utilizaram a ocasião para defender a aprovação da PEC da Segurança. Segundo eles, o projeto é forma de ampliar a colaboração entre os entes federativos.
Apesar do discurso de Lula voltado para a cooperação, representantes do governo federal e do governo de São Paulo fizeram coletivas de imprensa ao mesmo tempo sobre as operações, postaram sobre o tema nas redes sociais e tentaram colher os louros da operação, a maior do tipo já realizada na história, para si. Nas redes sociais, tanto Lula quanto Tarcísio exaltaram a ação, mas destacaram o trabalho das forças em seus âmbitos.
Ainda em entrevista à Itatiaia, na esteira dos elogios à operação, Lula afirmou que irá a Manaus (AM) para inaugurar, na próxima semana, um centro de combate ao narcotráfico com atuação conjunta da PF e das polícias amazônicas.
“(O local funcionará) Para que a gente faça um combate severo ao crime organizado, ao tráfico de drogas e ao tráfico de armas”, afirmou.
Embate
Cumprindo agenda em Minas Gerais, Lula também falou à Itatiaia sobre as eleições presidenciais de 2026. O petista afirmou que “quanto mais candidatos, melhor”, citando eventuais candidaturas dos governadores presidenciáveis Romeu Zema (Novo-MG), Ratinho Jr. (PSD-PR), Ronaldo Caiado (União-GO) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).
Questionado se os governadores “temem” Bolsonaro e, por isso, não apresentam candidaturas oficiais à Presidência – apenas Zema e Caiado já divulgaram pré-candidatura –, Lula reconheceu que o ex-presidente tem uma “força muito forte” no campo da direita. (Com informações do jornal O Globo)