Quinta-feira, 09 de Julho de 2020

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Rio Grande do Sul Trabalhadores de frigoríficos representam quase um terço dos diagnósticos positivos de coronavírus no Rio Grande do Sul

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Fatores incluem grande quantidade de empregados nos ambientes e renovação de ar insuficiente. (Foto: EBC)

Desde a chegada da pandemia de coronavírus ao Rio Grande do Sul, na primeira quinzena de março, ao menos 2,4 mil casos confirmados da doença envolvem trabalhadores de 24 frigoríficos localizados em 18 municípios gaúchos. O contingente significa que esse segmento da economia responde atualmente por cerca de 25% do total dos quase 10 mil diagnósticos positivos Estado.

Os dados foram apresentados pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) em uma “live” (transmissão ao vivo na internet) promovida pelo senador Paulo Paim (PT-RS) em parceria com entidades sindicais.

Representando o MPT, a procuradora Priscila Dibi Schvarcz apresentou dados indicando que os 28 municípios do Estado com maior número de incidência de Covid-19 são sedes de indústrias do ramo ou cedem trabalhadores para unidades em outros locais.

Ainda segundo ela, dentre os principais fatores que auxiliam a propagação do vírus são a grande quantidade de trabalhadores em um mesmo ambiente, o transporte coletivo de empregados e a ausência ou falta completa de renovação de ar nas linhas de produção.

Priscila também frisou que a instituição já realizou testagem em massa de trabalhadores, com o objetivo de mapear a incidência no segmento e reduzir a subnotificação.

Como sugestões, a procuradora mencionou a necessidade de que as empresas implementem rotinas de testagem periódica, rastreamento e triagem dos trabalhadores com sintomas compatíveis aos de coronavírus, a fim de que o número de casos seja reduzido.

Além disso, ela enfatizou a importância de incluir no sistema de notificação da doença um campo que informe o local de trabalho daqueles que foram contaminados:

“É inadmissível que esse sistema de notificação de casos de Covid-19 não abra espaço para identificação do local de trabalho das pessoas que estão sendo comunicadas por meio desse sistema, porque é um dado epidemiológico muito relevante. Não há como fazer epidemiologia sem saber onde esta pessoa passa a maior parte do seu dia, que é no ambiente de trabalho”.

Protocolos

Na semana passada, o governo federal editou portaria e instrução normativa estabelecendo os cuidados obrigatórios que frigoríficos devem manter quanto ao coronavírus. As regras foram elaboradas em conjunto pelos ministérios da Saúde e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, além da Secretaria de Trabalho e Emprego do Ministério da Economia, com a participação da Procuradoria-Geral do Trabalho.

Em menos de um mês, essa foi a segunda vez em que o governo se dirigiu ao setor produtivo de proteína animal por causa da pandemia. No dia 11 de maio, o Ministério da Agricultura havia publicado um manual com orientações para frigoríficos em razão da pandemia da Covid-19. As 70 medidas descritas no guia são facultativas.

Conforme o governo federal, o Brasil tem conseguido ampliar o mercado para proteína animal apesar da pandemia. No dia 25, o governo comemorou a decisão da Tailândia de abrir seu mercado para carne bovina com osso, carne desossada e miúdos comestíveis de bovino. Ao menos cinco estabelecimentos frigoríficos já foram aprovados para exportar.

Nas contas do Ministério da Agricultura, mais de 60 mercados externos foram abertos para os produtos agropecuários brasileiros desde janeiro do ano passado. Isso totaliza mais de 700 habilitações para venda de produtos da cadeia do agronegócio.

(Marcello Campos)

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