Terça-feira, 04 de Agosto de 2020

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Geral Veja o que se sabe até agora sobre a cloroquina

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Não há eficácia comprovada cientificamente do uso da cloroquina no tratamento da Covid-19. (Foto: Reprodução)

O interesse na hidroxicloroquina como medida preventiva e no tratamento de pacientes com coronavírus está em alta.

Mas, apesar de alguns estudos iniciais aumentarem as esperanças sobre a droga, um estudo subsequente em larga escala mostrou que ela não é eficaz como tratamento para a Covid-19, a doença causada pelo coronavírus.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) interrompeu seus testes, alegando que o medicamento não reduz as taxas de mortalidade em pacientes com o vírus.

Para que serve?

A hidroxicloroquina tem sido usada há muito tempo para tratar a malária, bem como outras doenças, como lúpus e artrite.

Ela é usada para reduzir febre e inflamação, e havia esperança de que também poderia inibir o vírus que causa a Covid-19.

Alguns estudos iniciais mostraram que a cloroquina pode reduzir a duração dos sintomas experimentados por pacientes com coronavírus, enquanto outros indicaram que ela não teve nenhum efeito positivo.

Um dos maiores estudos do mundo em andamento — o Recovery, realizado pela Universidade de Oxford, no Reino Unido — envolveu 11 mil pacientes com coronavírus em hospitais do país e incluiu testar a eficácia da hidroxicloroquina contra a doença, além de outros tratamentos em potencial.

A conclusão foi que “não há efeito benéfico da hidroxicloroquina em pacientes hospitalizados com Covid-19” e o medicamento acabou retirado do experimento.

Existem mais de 200 outros estudos atualmente em andamento em todo o mundo.

Controvérsia

A promoção da droga por figuras políticas importantes, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez com que a hidroxicloroquina e sua derivada, a cloroquina, se tornassem objeto de ampla especulação on-line sobre seus possíveis benefícios e efeitos nocivos.

Isso gerou uma alta demanda por esses medicamentos e sua escassez global.

Seu uso também dividiu a comunidade científica.

Experimentos em todo o mundo foram temporariamente descontinuados quando um estudo publicado na revista científica The Lancet afirmou que a droga aumentava fatalidades e problemas cardíacos em alguns pacientes.

Os resultados levaram a OMS e outras entidades a interromper os testes por razões de segurança.

No entanto, a Lancet posteriormente retirou o estudo do ar quando se constatou que ele apresentava sérias deficiências. Como resultado, a OMS retomou seus experimentos.

Outros estudos analisaram o uso dos medicamentos como uma medida de prevenção contra a Covid-19.

A Unidade de Pesquisa em Medicina Tropical da Universidade de Oxford (Moru, na sigla em inglês) está conduzindo ensaios clínicos em massa. São 40 mil trabalhadores da linha de frente na Europa, África, Ásia e América do Sul, que receberam cloroquina, hidroxicloroquina ou placebo.

Ainda não houve resultados deste ou de outros estudos randomizados em andamento sobre os medicamentos como tratamento preventivo.

Efeitos colaterais

Vários países autorizaram o uso hospitalar de hidroxicloroquina ou seu uso em estudos clínicos sob a supervisão de profissionais de saúde.

Em março, o Food and Drug Administration (FDA), a agência sanitária dos EUA, concedeu autorização “emergencial” para o uso desses medicamentos no tratamento da Covid-19 em número limitado de casos hospitalizados.

Porém, o órgão emitiu um alerta sobre o risco das drogas causarem sérios problemas nos batimentos cardíacos de pacientes com coronavírus. Também proibiu o uso deles fora de um ambiente hospitalar ou de um ensaio clínico.

E, finalmente em junho, o FDA retirou a droga de sua lista de medicamentos para o tratamento da Covid-19, alegando que os ensaios clínicos não mostraram benefício.

Também houve relatos de envenenamento por pessoas tomando cloroquina sem supervisão médica.

A OMS respondeu aconselhando as pessoas a não se automedicarem e “alertou contra médicos e associações médicas que recomendam ou administram esses tratamentos não comprovados”.

A França havia autorizado os hospitais a prescrever os medicamentos para pacientes com Covid-19, mas mais tarde reverteu a decisão depois que o órgão de regulação de saúde do país alertou sobre possíveis efeitos colaterais.

Por que esses medicamentos ganharam tanto destaque?

Houve vários estudos pequenos na China e na França que alegaram que a hidroxicloroquina e a cloroquina poderiam beneficiar pacientes com coronavírus.

Mas foi quando o presidente Trump mencionou a droga pela primeira vez em uma entrevista a jornalistas no fim de março que ela atraiu atenções ao redor do mundo.

E, em abril, ele disse: “O que você tem a perder? Tome”.

Após as declarações do presidente americano, houve um aumento acentuado nas prescrições para hidroxicloroquina e cloroquina nos EUA.

Trump revelou em maio que tomava hidroxicloroquina como medida de prevenção contra a Covid-19, mas depois disse que parou de fazer uso do medicamento.

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