Domingo, 31 de agosto de 2025
Por Redação O Sul | 12 de julho de 2025
O governo Lula tem optado por uma estratégia moderada diante do anúncio de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros feito por Donald Trump, com entrada em vigor prevista para agosto.
A decisão é clara: esperar a oficialização da medida antes de reagir, enquanto articula internamente um grupo que inclui representantes do empresariado para avaliar possíveis respostas.
Nos bastidores, integrantes do governo enxergam nesse movimento uma oportunidade para ampliar o apoio junto a setores que historicamente se alinharam a Jair Bolsonaro, como o agronegócio.
Ao mesmo tempo, Lula deve calibrar o discurso: endurecer o tom para reforçar a posição do Brasil, mas sinalizando disposição para negociar e evitar uma escalada. Não será simples.
Apesar de ser esse o caminho institucional, o presidente tem histórico de improvisos e declarações contundentes, especialmente quando confrontado por quem vê como representante do “imperialismo”, figura central na narrativa histórica do PT.
Esse equilíbrio, segundo integrantes do governo, será essencial nos próximos dias. O conteúdo muito fora do tom da carta de Trump tem um peso simbólico, mas na avaliação do governo não fecha as portas para uma eventual reviravolta — ainda que, até aqui, o presidente americano não tenha dado qualquer sinal nesse sentido.
Os negociadores brasileiros, porém, estão atônitos e sem reação. Até terça-feira, as informações eram de uma conversa em andamento com os americanos e com possibilidade de resultado positivo para o Brasil diante inclusive de um histórico superavitário para os EUA nas trocas comerciais.
No dia seguinte, Trump surpreendeu a todos com uma tarifa de 50% em tom de sanção econômica. As negociações que vinham ocorrendo com o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) pararam ao sabor de novidades vindas via Truth Social.
Se até agosto nada mudar — serão longas três semanas até lá — a retaliação brasileira também passa por um discurso de moderação e sem minar a economia doméstica, já que uma tarifa de 50% sobre bens importados dos EUA teriam efeitos elevados sobre o mercado local.
É diante disso que diplomatas brasileiros falam em quebra de patentes de remédios, sementes, defensivos agrícolas, obras literárias e musicais.
Enquanto isso, crescem as dúvidas sobre os impactos reais das tarifas de Trump. Haverá efeito sobre inflação, PIB, dólar? A possível sobra interna de produtos antes exportados aos EUA, como carne, laranja e café ou há mercados alternativos para escoar essas exportações? E os empregos, sobretudo em estados como São Paulo?
Essas questões devem dominar o debate nos próximos dias, enquanto governo e setor privado tentam trilhar caminhos de negociação. (Manoel Ventura/Jornal O Globo)