Domingo, 31 de agosto de 2025
Por Redação O Sul | 14 de julho de 2025
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nessa segunda-feira (14) aplicar um pacote “tarifas severas” à Rússia caso o governo de Vladimir Putin não alcance um acordo de paz na Ucrânia em um prazo de até 50 dias.
Além disso, em reunião com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, o republicano prometeu uma nova leva de armamento às tropas ucranianas, selando a retomada das ajudas dos EUA a Kiev e uma reaproximação com o governo ucraniano.
O encontro marca uma mudança clara de postura de Trump em relação a Putin desde o início de seu segundo mandato, iniciado no fim de janeiro.
Trump, que evitou se posicionar durante sua última campanha à Presidência, havia se colocado como garantidor da paz entre Moscou e Kiev, prometendo que encerraria o conflito “em 24 horas”. Veja, a seguir, como ele manobrou sua posição sobre a guerra nos últimos meses.
Mais de um ano antes de ser eleito presidente pela segunda vez, Trump disse que era capaz de encerrar a guerra na Ucrânia em apenas um dia. Em entrevista à rede CNN, afirmou que se sentaria com os governos russo e ucraniano para um acordo.
“Se eu fosse presidente, eu resolveria essa guerra em um dia, em 24 horas. Eu me encontraria com Putin, me encontraria com Zelensky. Ambos têm fraquezas e ambos têm forças”, disse.
Afirmações semelhantes foram feitas nos meses seguintes:
– Trump disse que sabia o que cada lado queria e afirmou durante a campanha eleitoral que iria acabar com a guerra em 24 horas.
– Em julho de 2024, o embaixador da Rússia nas Nações Unidas, Vasily Nebenzya, descartou que Trump resolveria a “crise na Ucrânia” em apenas um dia.
– Em março deste ano, o presidente americano foi questionado sobre a promessa. Em entrevista ao programa “Full Measure”, ele afirmou que estava sendo “um pouco sarcástico” quando disse que resolveria a guerra em 24 horas.
Aproximação com Putin
Uma vez de volta à Casa Branca, Trump passou a sinalizar uma aproximação com o líder russo, Vladimir Putin.
Em fevereiro, menos de um mês após a posse, o republicano disse confiar em Putin e defendeu o retorno da Rússia ao G7, grupo que reúne as principais economias do mundo, do qual Moscou foi suspensa após o início da ofensiva na Ucrânia.
Em uma mensagem em sua rede social, Trump disse no dia 12 de fevereiro ter conversado com Putin por telefone durante uma hora e meia: “Concordamos que nossas equipes iniciarão negociações imediatamente e começaremos ligando para o presidente Zelensky, da Ucrânia, para informá-lo sobre a conversa — algo que farei agora mesmo”, escreveu o presidente.
No dia seguinte, Trump disse acreditar que Putin queria a paz no conflito. Uma semana depois, em 18 de fevereiro, autoridades americanas e russas se reuniram em Riade, na Arábia Saudita, sem a presença de diplomatas ucranianos, para negociar uma possível resolução para a guerra.
Seu gabinete também sinalizou um alinhamento com a visão do Kremlin. Ainda em fevereiro, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse que o restabelecimento das fronteiras de 2014 entre Rússia e Ucrânia, com a devolução da Crimeia e outros territórios a Kiev, era “irrealista”.
Críticas à Otan
Ao mesmo tempo em que fazia acenos para o Kremlin, Trump realizou ataques à Otan, a aliança militar do Ocidente que reúne os EUA e as potências europeias.
Também em fevereiro, o secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, insinuou que a Europa estava contando com o apoio militar incondicional dos americanos para frear o impulso expansionista de Putin.
“Não se enganem! O presidente Trump não permitirá que ninguém transforme o Tio Sam em ‘Tio Otário'”, afirmou Hegseth, acrescentando: “A Europa deve ser a principal responsável pela defesa do continente europeu”.
Em paralelo, Trump deu declarações provocativas a membros da Otan, como a Dinamarca, insinuando o desejo de incorporar a Groenlândia ao território americano.
Reviravolta e ultimato
O tom de Trump em relação à Otan mudou após o acordo da aliança para o aumento dos gastos em Defesa.
O presidente recebeu Mark Rutte de forma amistosa no Salão Oval nesta segunda-feira (14), apontando sua fala contra Moscou.
“Estamos muito, muito insatisfeitos (com a Rússia), e vamos aplicar tarifas muito severas se não alcançarmos um acordo (de cessar-fogo) em 50 dias”, disse o republicano.
Nessa segunda, Trump reafirmou que enviará à Ucrânia os sistemas antimísseis Patriot, como havia dito no domingo (13), e baterias de lançamento do sistema.
O Patriot é o mais avançado sistema de defesa que o Ocidente já enviou à Ucrânia, e cada unidade custa cerca de US$ 3 milhões (R$ 15,6 milhões).