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Brasil A Petrobras tem o segundo maior tombo da história e perde quase 75 bilhões de reais

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Petroleira encolheu mais de R$ 100 bilhões desde sexta. (Foto: Stéferson Faria/Agência Petrobras)

Com o forte tombo na cotação das ações nesta segunda-feira (22), a Petrobras perdeu bilhões em valor de mercado. Segundo levantamento da provedora de informações financeiras Economatica, a estatal encolheu R$ 74,2 bilhões apenas no pregão de hoje. Foi a segunda maior queda diária em valor da mercado da Petrobras desde o início do plano Real.

Na sexta-feira (19), antes mesmo do anúncio do presidente Jair Bolsonaro da indicação de um novo presidente-executivo para a Petrobras, a estatal já tinha visto o seu valor na Bolsa encolher R$ 28 bilhões.

Na noite de sexta, Bolsonaro anunciou a indicação do general Joaquim Silva e Luna, atual diretor da Itaipu Binacional, para a presidência da Petrobras, no lugar de Roberto Castello Branco, gerando muitas críticas. Para que a troca na presidência da Petrobras seja concretizada, a indicação ainda precisa do aval do Conselho de Administração da Petrobras, que tem reunião prevista para esta terça-feira (23).

O levantamento da Economatica desta segunda considera o valor de fechamento dos papéis. As ações ordinárias (PETR3) recuaram 20,48% (R$ 21,55), e as preferenciais (PETR4) registraram queda de 21,51% (R$ 21,45). Clique aqui para ver as cotações.

A Petrobras foi avaliada nesta segunda na bolsa em R$ 280,5 bilhões, contra R$ 382,9 bilhões no fechamento da última quinta-feira (18), retrocedendo para o menor patamar desde novembro de 2020. No início do governo Bolsonaro, valia na bolsa R$ 316 bilhões. Em maio de 2008, chegou a valer R$ 510 bilhões.

Segundo a Economatica, a maior queda diária já registrada no valor de mercado da Petrobras foi registrada no dia 9 de março do ano passado, na esteira de um tombo nos preços internacionais do petróleo, quando a estatal perdeu R$ 91,1 bilhões.

A deterioração dos ativos também atingiu outras empresas estatais. Nesta segunda, o valor de mercado do Banco do Brasil encolheu R$ 10,8 bilhões, e o da Eletrobras diminuiu em R$ 280 milhões.

Repercussão negativa

A decisão e Bolsonaro de trocar o comando da Petrobras repercutiu negativamente entre investidores, com vários analistas cortando a recomendação dos papéis, bem como reduzindo preços-alvo.

A XP Investimentos, por exemplo, cortou a recomendação para os papéis da Petrobras de “neutro” para “venda” no domingo, em relatório sob o título “Não há mais como defender”.

“As declarações recentes do presidente acendem um enorme sinal amarelo – senão vermelho ao cenário político local”, afirmou o estrategista Dan Kawa, da TAG Investimentos, em comunicado a clientes.

Já para a equipe a Mirae Asset, a decisão de Bolsonaro “tende a comprometer a venda de ativos da empresa, que vinham tendo uma performance positiva”.

Ações das estatais Eletrobras e Banco do Brasil também caíam forte na B3 nesta segunda.

“O momento político no Brasil não é um dos melhores diante de tantas de urgências que nós temos, reformas para serem aprovadas, austeridade fiscal e controle de gastos públicos. No atual momento em que o país se endivida mais. Tudo isso em meio a uma pandemia que ainda não foi embora”, avaliou Rafael Panonko, analista chefe da Toro Investimentos.

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