Sexta-feira, 14 de Agosto de 2020

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Brasil Michel Temer diz que não é amigo de Dilma e que não quer parecer conspirador

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“Nós não somos amigos porque ela não se considerava minha amiga”, declarou o vice Michel Temer. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

Em mais uma contraofensiva ao discurso de golpe adotado pela presidenta Dilma Rousseff, o vice-presidente Michel Temer voltou a argumentar, em entrevista a um jornal estrangeiro, que o processo de impeachment contra a mandatária está previsto na Constituição. Após demonstrar ao The Wall Street Journal incômodo com a acusação de ser um traidor, o vice negou, dessa vez ao The The New York Times, que o processo se trata de um golpe de Estado. “Não quero que pareça que conspiro para assumir”, afirmou.

Temer disse ainda que esteve no “ostracismo absoluto” nos últimos quatro anos e ressaltou que nunca foi amigo de Dilma, com quem falou pela última vez em janeiro. “Nós não somos amigos porque ela não se considerava minha amiga”, declarou.

O The New York Times lembrou que o vice, que assumirá a presidência caso o impeachment consiga maioria no Senado, enfrenta acusações de envolvimento no escândalo de corrupção na Petrobras, como a citação na delação do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS). Temer se disse inocente e argumentou que suas ligações com executivos envolvidos no esquema investigado pela Operação Lava-Jato se deveram às suas responsabilidades burocráticas como presidente do PMDB, partido que integrou a coalizão do governo petista. Sobre o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Temer disse que não pediria para ele renunciar. “Esse é um assunto para o Supremo Tribunal Federal decidir”, declarou.

Temer afirmou que o desemprego é o problema mais urgente no País. O vice-presidente disse também que pretende criar um “governo de otimismo”. Ele citou como fontes de inspiração Juscelino Kubitschek e os presidentes norte-americanos Theodore e Franklin Roosevelt, enfatizando que planeja se aproximar dos EUA.

O jornal destacou que Temer enfrentará, simultaneamente, a pior crise econômica das últimas décadas, uma epidemia de zika, discórdia política e os Jogos Olímpicos do Rio e que, segundo pesquisa realizada pelo “Datafolha”, Temer teria apenas 2% das intenções de voto, se as eleições fossem realizadas hoje. O The New York Times ressaltou que o vice esteve tão poucas vezes nos holofotes nacionais que muitos brasileiros o conhecem por meio da mulher, Marcela Temer. (AG)

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