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Economia Senadores querem cortar itens da cesta básica

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Parlamentares avaliam retirar cortes nobres de carne bovina, mas técnicos da Fazenda consideram proposta inviável. (Foto: Divulgação)

Novos cálculos da equipe econômica apontam que a alíquota-padrão do imposto sobre consumo previsto na Reforma Tributária deve ficar próxima de 28%, após alterações feitas no projeto durante a tramitação na Câmara dos Deputados. Os parlamentares aumentaram a lista de itens que terão isenção ou redução do percentual cobrado.

Caso a previsão se confirme, o País teria o maior Imposto sobre Valor Agregado (IVA) do mundo, à frente da Hungria, que tem taxa de 27%, a maior entre os países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Os cálculos finais da Fazenda estão sendo fechados e devem ser divulgados junto com a tramitação do texto no Senado. Antes, as previsões do governo mantinham a alíquota-padrão de referência no patamar de 26,5%.

Entre os itens que mais pesam para o aumento do tributo, estão a inclusão de carnes e queijos na cesta básica, a ampliação da alíquota reduzida em 60% para todos os medicamentos e o aumento de benefício tributário ao mercado imobiliário.

A tramitação da regulamentação no Senado está parada, aguardando o governo retirar a urgência constitucional do projeto. Os senadores querem que a análise ocorra com mais calma, e a votação em plenário seja apenas depois das eleições municipais, em outubro.

O primeiro e mais amplo projeto de regulamentação da Reforma Tributária — que será usado para fechar a alíquota-padrão — foi aprovada na Câmara dos Deputados no início de julho. O relator no Senado é Eduardo Braga (MDB-AM), que ainda não foi oficializado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Na semana passada, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sinalizou a Braga a retirada da urgência, mas até agora não o fez.

“Parece que ajustaram o entendimento de que essa reforma não tem condição de ser votada em período eleitoral”, disse o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). “Temos que ser mais justos para ter a menor alíquota possível. Vai ser o exercício do possível, e não do desejável. O desejável seria 20%, 19%. Mas vamos fazer o possível.”

Os senadores querem rever, por exemplo, parte dos benefícios tributários ampliados a setores em votação na Câmara dos Deputados e o aumento de itens na cesta básica.

“Aumentar a alíquota não tem condições, temos que tentar reduzir. Alguns setores que estão sendo beneficiados, vamos ter que olhar isso aí”, afirmou o senador Omar Aziz (PSD-AM).

Carnes e queijos

Com base em calculadora criada pelo Banco Mundial, para tentar simular o efeito de cada mudança em relação ao projeto original do governo, o jornal O Globo calcula que a nova alíquota poderá chegar a 27,9%. O cálculo inclui carnes bovinas, suínas e de aves, assim como queijos e sal, medicamentos e farinhas. O valor não inclui o aumento da renúncia tributária para construção civil, que terá importante peso na alta da taxa.

Senadores avaliam, por exemplo, retirar cortes nobres de carnes bovinas da cesta básica, como forma de reduzir essa alíquota. Porém, técnicos da Fazenda ponderam que a divisão por cortes de carnes é inviável e poderia, inclusive, facilitar fraudes em frigoríficos e açougues.

Apesar da iniciativa para diminuir a alíquota-padrão de IVA, os senadores terão de lidar com pressão de setores querendo mais benefícios.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima um aumento na alíquota padrão para 28%, com as modificações da Câmara.

“A nossa estimativa também está no mesmo nível. Não há dúvida de que as alterações aumentarão significativamente a alíquota. A CNI sempre se manifestou contrária às exceções, mas a política levou a isso, não teria viabilidade sem as exceções”, disse o superintendente de Economia da CNI, Mário Sergio Telles.

A instituição, porém, defende que o Imposto Seletivo sobre mineração fique em zero, o que também poderia impactar a alíquota-padrão. Para a CNI, o tributo seletivo não deveria existir na extração de minérios, já que o mineral é insumo utilizado na indústria para diversas atividades produtivas, gerando cumulatividade.

O setor de mineração também conseguiu uma concessão por parte dos deputados. A regulamentação estabelece que a cobrança de Imposto Seletivo para extração de minérios será fixada em uma alíquota de 0,25%. Antes esse valor poderia chegar a até 1%, o que representa uma perda na previsão de arrecadação.

Como forma de tentar minimizar o efeito de acréscimo de mais itens na cesta básica, além dos aumentos dos benefícios para setores como o mercado imobiliário e mineral, os deputados incluíram as bets, empresas de apostas on-line, no Imposto Seletivo. Aliados de Haddad, porém, avaliam que a arrecadação do setor ainda é incerta e não deve compensar a alta renúncia com as exceções.

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https://www.osul.com.br/senadores-querem-cortar-itens-da-cesta-basica/ Senadores querem cortar itens da cesta básica 2024-08-21
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