Sábado, 30 de agosto de 2025
Por Redação O Sul | 30 de agosto de 2025
Luis Fernando Verissimo eternizou o amor pelo Inter em palavras, mesmo contrariando o pai, Erico Verissimo, gremista convicto
Foto: Rodrigo W. Blum/Divulgação UnisinosO Brasil perdeu neste sábado (30) um dos maiores nomes da literatura nacional. Luis Fernando Verissimo, escritor, cronista e apaixonado torcedor do Inter, faleceu aos 88 anos, deixando um legado de humor refinado, crítica social e amor pelo futebol, especialmente pelo clube do coração.
Verissimo foi responsável por despertar o gosto pela leitura em gerações de brasileiros. Suas crônicas curtas, bem-humoradas e cheias de observações sobre o cotidiano conquistaram leitores desde os tempos do Analista de Bagé até os textos mais reflexivos sobre política e sociedade.
Mas foi no futebol, e especialmente no Inter, que ele encontrou uma das maiores fontes de inspiração. Mesmo tímido diante de microfones, Verissimo expressava sua paixão pelo Colorado com elegância e sensibilidade. Em momentos difíceis do clube, como em 2002, quando o Inter flertava com o rebaixamento, ele escreveu com saudade da época em que o Gre-Nal era o centro do universo gaúcho.
Um dos textos mais emblemáticos de Verissimo foi publicado em 17 de dezembro de 2006, logo após o Inter conquistar o Mundial de Clubes contra o Barcelona. Na crônica “Não me acordem”, ele homenageou os torcedores que mantiveram a fé mesmo nos anos de seca, exaltando a resistência como virtude:
“Você não sabe, mas é um herói. […] Quando for a nossa vez de novo, teremos certamente a torcida mais dedicada, fiel, convicta e feliz do Brasil. Porque será a torcida dos que resistiram.”
Esse trecho foi escolhido pelo próprio Inter para prestar sua homenagem ao escritor. Em nota oficial, o clube lamentou a perda de um “colorado que, com sua escrita, marcou o imaginário do povo brasileiro”.
Curiosamente, Verissimo escolheu torcer pelo Inter mesmo sendo filho de Erico Verissimo, outro gigante da literatura brasileira, e gremista convicto. Essa escolha virou símbolo de sua independência e amor genuíno pelo clube, que ele eternizou no livro Internacional: autobiografia de uma paixão e em incontáveis crônicas que misturavam futebol, memória e afeto.
Luis Fernando Verissimo não apenas escreveu sobre o Inter, ele sentiu o Inter. Sua obra é um retrato da alma colorada: resiliente, apaixonada, crítica e esperançosa. Com sua partida, o Brasil perde um mestre das palavras, e o Inter, um torcedor autêntico que soube transformar o amor pelo clube em literatura.
“Aquele não foi um sonho, Verissimo. Mas, agora, descanse em paz.”