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Política CPI da Covid deve questionar o presidente da Anvisa sobre proposta de alteração da bula da cloroquina

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Barra Torres será o quarto depoente a falar à CPI da Covid

Foto: Divulgação
Barra Torres será o quarto depoente a falar à CPI da Covid. (Foto: Divulgação)

A CPI da Covid ouve nesta terça-feira (11) o presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antônio Barra Torres. O chefe da Anvisa será o quarto depoente a falar à comissão parlamentar de inquérito.

Inicialmente, o depoimento de Barra Torres estava previsto para a tarde da última quinta-feira (06). No entanto, a audiência com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, começou de manhã e terminou somente à noite, o que acabou inviabilizando a participação do chefe da Anvisa.

Os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich foram os primeiros a comparecer à CPI. Declarações feitas por Mandetta devem ser usadas para questionar a atuação do governo brasileiro na expansão do uso da cloroquina para combater a Covid-19. Estudos científicos demonstram que a substância, usada para tratamento de malária, não tem eficácia contra a Covid.

À CPI, o ex-ministro da Saúde contou ter sido chamado para uma reunião no Palácio do Planalto na qual foi apresentada uma minuta de decreto presidencial propondo alteração da bula da cloroquina a fim de que fosse incluída a previsão de uso medicamento no tratamento da Covid-19. De acordo com Mandetta, o presidente da Anvisa vetou a proposta.

Com a produção e distribuição de cloroquina na mira da CPI, senadores independentes e de oposição devem questionar Barra Torres sobre o episódio. O chefe da Anvisa falará na condição de testemunha – nesse caso, o depoente é obrigado a dizer a verdade e não pode ficar calado diante das perguntas.

Vacinas

Barra Torres foi convocado após a aprovação de cinco requerimentos que pediam audiência com ele. Um dos temas centrais da audiência deve ser a recusa, pela Anvisa, da liberação da vacina russa Sputnik V.

No último dia 26 de abril, a Anvisa negou o pedido de autorização excepcional para a importação do imunizante russo. Entre outros pontos, a agência argumentou que não recebeu relatório técnico capaz de comprovar que a Sputnik V atende a padrões de qualidade e que o adenovírus usado para carregar o material genético do coronavírus é capaz de se reproduzir e pode causar doenças.

Após a negativa da Anvisa, o Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF, na sigla em inglês), que comercializa a Sputnik V, produzida pelo laboratório russo Gamaleya, afirmou que os comentários da agência sobre a vacina estavam “incorretos” e que a decisão de adiar a aprovação do imunizante poderia ter “motivação política”.

Ao justificar um dos pedidos de convocação de Barra Torres, o senador Ângelo Coronel (PSD-BA) afirmou que o processo da Sputnik V “foi envolto em polêmicas e supostas pressões de ambos os lados”.

Vice-presidente da CPI, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirma que Barra Torres terá de “deixar claro como foi a verificação sobre a eficácia da Sputnik V e se a Anvisa fez alguma verificação sobre os lotes da vacina ou se apenas recebeu documentos do laboratório Gamaleya”.

Rodrigues diz que vai questionar Barra Torres sobre o processo de autorização de outras vacinas. “Também precisamos saber se houve interferência política sobre a CoronaVac”, disse.

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