Terça-feira, 11 de Agosto de 2020

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Colunistas Desmatamento, agronegócio e o dever da veracidade

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O ex-ministro da Agricultura do governo Lula, Roberto Rodrigues, publicou um artigo no jornal “O Estado de São Paulo” no dia 12 de Julho, chamado “Ilegalidades”, onde afirmou que os pés do agronegócio brasileiro estariam “sujos de desmatamento, invasões e grilagens de terras”. A forma como um dos grandes condutores da pasta do agronegócio da história se referiu ao setor que ainda mantém alguma vitalidade na tragédia econômica das políticas de distanciamento social pós-Covid 19, causou surpresa a todos os que, de fato, conhecem o setor a fundo – especialmente porque, justiça seja feita, sua atuação ministerial, por um bom tempo, serviu de anteparo, impedindo a implantação de mistificações ideológicas como regra de gestão no campo brasileiro.

Quando uma figura acima da média diz algo “fora da curva” da realidade, ficamos entre o dever de restabelecer os fatos e o constrangimento de interpelar um gênio. Nessas horas, o peso da biografia costuma triunfar sobre os fatos. Entretanto, com o respeito devido, sou dos que acreditam que um despautério deve sempre ser combatido, mesmo quando dito por um gênio.

O ex-ministro afirma que, apesar da excelência técnica construída pelo empreendedorismo do produtor rural brasileiro ao longo de décadas, o agronegócio está com os “pés” (e não as mãos) sujas pelo desmatamento e grilagens na Amazônia, e que isso já assusta mercados consumidores do mundo todo, especialmente o mercado europeu. Evocar como exemplo um continente altamente protecionista, que ao longo da história sempre usou a questão amazônica como pedra de toque contra o agronegócio brasileiro, é sucumbir à lógica de uma guerra comercial desonesta. Porque o produtor rural, ao contrário do que sugere o ex-ministro, não é poluidor nem inimigo do meio ambiente.

Foi do governo Jair Bolsonaro a medida mais enérgica contra as grilagens – a Medida Provisória 810, MP da Regularização Fundiária, lamentavelmente soterrada no plenário da Câmara dos Deputados sem ir à votação. A lei substitutiva que poderia disciplinar essa questão também engatinha, sob o silêncio complacente dos barões da Faria Lima, que o ex-ministro conhece bem.

O ministro Ricardo Salles, há muitos meses escolhido pela mídia como o próximo ministro a ser derrubado, defendeu apenas o que todos os brasileiros conscientes defendem: a desburocratização de regramentos que, em vez de garantir a proteção do meio ambiente, servem muito mais para manter o status de um gigantesco aparato fiscalista. O brasileiro que elegeu o atual governo escolheu menos Estado para ter menos corrupção, e é esse movimento que setores da mídia, com a surpreendente adesão do doutor Rodrigues, pretendem desconstruir, atingindo inclusive a ministra Tereza Cristina. E não nos parece uma boa postura a condição do antecessor que ataca, em tom professoral, os que hoje buscam construir mudanças.

O que o ex-ministro parece propor, é aceitarmos como verdadeiras as acusações que são lançadas ao agronegócio como parte da estratégia competitiva de países que disputam os nossos mercados. Não, doutor Rodrigues. Acreditar em mentiras como se fossem verdades é coisa mais semelhante a seu antigo chefe, não à índole dos produtores. Seguiremos dizendo que somos o país que mais preserva o meio ambiente, que tem produtores responsáveis e que não são grileiros nem criminosos.
Porque essa é a verdade, e sabemos que o senhor também sabe.

 

Tarso Francisco Pires Teixeira – Superintendente do INCRA do Rio Grande do Sul

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